sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

POESIA DE EUGÉNIA EDVIGES

 


 

 

 

 

 

 

 

PALAVRAS AO MAR

Solto palavras ao vento,

Às ondas, à maresia,

E às palavras escolhidas

Dou o nome poesia.

 

As ondas se agigantam

Medonhas e com fragor

Então, grito ao mar profundo:

- Serás sempre Adamastor!

 

E digo ao mar que é lençol    

De rendas brancas, ornado

Enquanto ele se esbate

Sobre o meu corpo suado.

 

O sol dá a despedida

E eu vejo maravilhada

Que sobre o mar vai deixando

Laivos de luz prateada.

 

Fico muda, sem ter rimas

De versos que não direi…

Olho o mar no fim de tarde

E sem palavras fiquei…

 

E o poema que escrevi

Na areia que o sol doirou

Não foi o vento que o quis

Foi o mar que mo roubou.

 

FLOR SILVESTRE

Não me adapto ao vento

Nem à ordem precisa

De um lugar;

Não me atrai o que cresce

Ao meu redor

Nem a jarra de vidro

Em qualquer lar;

Não busco um caminho orlado,

De uma certeza colorida

Nem tão pouco um reino

Com altares de barro;

Não sou atavio de noiva,

Nem perdoo rancores,

Não vibro em mesas festivas

Nem morro de amores.

 

Sou efémera, calma e serena

Que se ergue após o calcar pedestre.

Sou beleza bravia

Sou força invisível esculpida,

Sou a flor silvestre!

 

TODA A NOITE ESPEREI POR TI

Toda a noite esperei por ti. 

Até o lençol ficar áspero de enrugado

Sob as voltas do meu corpo descoberto,

Dorido, a transpirar de agitado.

 

Até o olhar estarrecer na escuridão

Até as sombras me cobrirem de mansinho

Até as minhas mãos nervosas, repuxarem

O meu cabelo molhado, em desalinho

 

Até o choro inundar o teu retrato

Até o grito na garganta sufocar

Por sentir que esta força que me arrasta

Será da Morte que por fim me quer levar…!

 

Toda a noite esperei por ti.

Até as trevas esconderem a verdade

Até o sol irromper pela janela

E mostrar toda a minha fealdade!

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