PALAVRAS AO MAR
Solto palavras ao vento,
Às ondas, à maresia,
E às palavras escolhidas
Dou o nome poesia.
As ondas se agigantam
Medonhas e com fragor
Então, grito ao mar profundo:
- Serás sempre Adamastor!
E digo ao mar que é lençol
De rendas brancas, ornado
Enquanto ele se esbate
Sobre o meu corpo suado.
O sol dá a despedida
E eu vejo maravilhada
Que sobre o mar vai deixando
Laivos de luz prateada.
Fico muda, sem ter rimas
De versos que não direi…
Olho o mar no fim de tarde
E sem palavras fiquei…
E o poema que escrevi
Na areia que o sol doirou
Não foi o vento que o quis
Foi o mar que mo roubou.
FLOR SILVESTRE
Não me adapto ao vento
Nem à ordem precisa
De um lugar;
Não me atrai o que cresce
Ao meu redor
Nem a jarra de vidro
Em qualquer lar;
Não busco um caminho orlado,
De uma certeza colorida
Nem tão pouco um reino
Com altares de barro;
Não sou atavio de noiva,
Nem perdoo rancores,
Não vibro em mesas festivas
Nem morro de amores.
Sou efémera, calma e serena
Que se ergue após o calcar pedestre.
Sou beleza bravia
Sou força invisível esculpida,
Sou a flor silvestre!
TODA A NOITE ESPEREI POR TI
Toda a noite esperei por ti.
Até o lençol ficar áspero de enrugado
Sob as voltas do meu corpo descoberto,
Dorido, a transpirar de agitado.
Até o olhar estarrecer na escuridão
Até as sombras me cobrirem de mansinho
Até as minhas mãos nervosas, repuxarem
O meu cabelo molhado, em desalinho
Até o choro inundar o teu retrato
Até o grito na garganta sufocar
Por sentir que esta força que me arrasta
Será da Morte que por fim me quer levar…!
Toda a noite esperei por ti.
Até as trevas esconderem a verdade
Até o sol irromper pela janela
E mostrar toda a minha fealdade!

Parabéns Eugénia tem mesmo alma de Poeta bjinho
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