sábado, 3 de janeiro de 2026

POESIA DE HELENA CAVACAS VERÍSSIMO

 


 

 

 

 

 

 

 

BAIXAR A GUARDA

Quando apareces formosa

Vestida só de luar

 

Mesclados os teus cabelos

Em tonalidades de âmbar

 

Me olhas provocadora com

Teus olhos puro mar

 

E espalhas por onde passas

A graça do teu andar

 

E a beleza do teu encanto

Qual sereia do mar

 

Teus lábios em meus ouvidos

Como que a sussurrar

Que a luz que de ti emana

Tem o dom de enfeitiçar

 

Eu cedo, eu baixo a guarda

E rendo-me ao verbo amar

 

PELAS CRIANÇAS, SENHORES, PELAS CRIANÇAS !

Não quero um mundo de guerra, tiros, bombas e explosões

De sobressaltos, de perdas, de chacinas e violações

 

Não quero um mundo de tortura, de degradação e horror

Ver crianças indefesas sucumbir à falta de amor

 

Não quero um mundo de fome, de medo e manipulação

Da supremacia de quem acha que não deve justificação

 

Não, não quero um mundo cruel, carrasco, demolidor

Nem nos olhos duma criança quero ver sombra de dor

 

 

O FEITIÇO DA LUA

Quando o céu abraça a terra

no seu manto de luar

 

Quando a prata vira feitiço

e toma conta do mar

 

Quando me apanhas incauta

na magia do teu olhar

 

Sonhando o mundo se perde

perdido só por te amar

 

 

LIBERDADE Utopia ou Realidade ?

Foi dia feliz para um espermatozóide

Encontrou um óvulo que o acolheu

Vitória, vitória, começou uma história

Que viagem linda será esta, Deus meu !

 

Mas o embriãozinho que foi crescendo

No útero materno tão aconchegado

Foi fruto de desmando não consentido

Perpetrado por um ato vil e acobardado

 

Na ética e valores teu carácter formarás

Prometeu esta mãe ao embrião a crescer

Nascerás para a liberdade e digno serás !

 

Acalentou uma vontade forte e inabalável

Cimentou uma certeza tudo menos fugaz:

O teu direito à vida é real e inegociável !

 

Porque a maldade não é coisa tolerável !

Nem o bem pode, jamais, ser descartável !

 

O POETA

O poeta pincela a dor

De branco, azul e rosa

 

E passa a chama-lhe flor

 

Qual mentira piedosa

Criada por um fingidor


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